Quem me conhece sabe que eu até gosto de cozinhar, me esforço pelo meu tempo em casa, me divirto indo a feira. Só que não dá na maioria das vezes, pois sou absorvida por escrever um artigo cientifico ou planejar uma dieta. Acabo me rendendo a um lanche desses da vida, calculando as calorias, compensando com sopinha a noite, mas não tem jeito. O bom arroz, feijão, bife e salada caseiros ficam para os dias de folga.
A verdade é que se analisarem todas as pessoas no mundo atual de forma comparativa vão ter a certeza quantitativa dessa mudança. Por mais boa vontade que se tenha para comer direito, é praticamente lei recorrer a buffet por quilo, sanduíches rápidos ou junks foods (lanches ricos em gorduras e carboidratos) mesmo. Mesmo que eu tente compensar com uma rotina de exercícios físicos, o estrago de uma dieta não balanceada é difícil de ser revertido já que os nutrientes precisam um dos outros para agir no organismo e assim exercer seus efeitos benéficos a nossa saúde. Um dia a base de junks foods já atrapalha a ação das vitaminas de muita salada e suco de fruta.
Além disso,esse hábito alimentar modificado com o avanço dos tempos leva a outra consequência. Certos ingredientes da culinária, utilizados em preparo de pratos produzidos em escala menor estão sumindo do mapa. Afinal, quem vai manter a produção de um ingrediente que é consumido por quase ninguém enquanto outro é consumido feito "água no deserto"? Em 1986, na Itália, Carlo Petrini, criou o "Slow Food", com o objetivo de tentar resgatar a cozinha tradicional e seus ingredientes (vegetais e sementes). Já existe uma lista com cerca de 800 produtos em risco de desaperecer no mundo, denominada Arca do Gosto. Foi elaborada e é atualizado por chefs de cozinha, agrônomos , cientistas da alimentação, jornalistas e antropólogos que são voluntariados do Slow Food. Alguns dos ingredientes estão nessa lista por serem excessivamente consumidos e correrem o risco de desaparecer, pois foram muito explorados como é o caso de variedades do arroz e do feijão.


